Trabalhos 2021/2022

Escola EB1/PE Dr. Clemente Tavares - Gaula (Santa Cruz)

Atividade:  A Viagem dos Alimentos (1º escalão)

Escalão: 1º escalão: jardins-de-infância e 1º ciclo do ensino básico

Memória Descritiva:
Participantes: 3º e 4º anos
1º passo: visita à cantina à hora do almoço, cujo 2º prato era peixe
2º passo: pesquisa do peixe servido ao almoço, tipos de peixes endémicos ou não, comestíveis e diferenciação entre peixes, mamíferos marinhos e moluscos.
3º passo: visita à cozinha da escola para ver as embalagens de peixe congeladas (proveniência/data de validade, etc…)
4º passo: escrita do conto com jogo para ultimação das categorias da narrativa
5º passo: ilustração no paint 3D das principais partes da história
Pedro, o chicharro
Era uma vez um rapaz, trigueiro e reguila, que chegou à nova escola já no quarto ano. Os pais tinham se mudado para o interior da ilha, queriam uma casa de pedra com lareira, de um piso com águas furtadas, com terreno em que pudessem cultivar os alimentos. Tinham vindo à procura do verde e da calmaria da floresta Laurissilva, rodeados de tis, de barbuzanos, de massarocos, de loureiros e de veredas encantadas pelos chilreios dos bis-bis e tentilhões. (Fig. 1- Casa de pedra, Sebastião)
-Oh, o cheirinho a azeite de louro! -dizia a mãe. É tão raro encontrar já na ilha!
Pedro acostumado à pescaria, no barco do avô, estava ansioso pelo primeiro dia na escola. (Fig. 2– Pescaria com o avô, Samara) Uma escola bem catita, com duas turmas mistas, com os recreios cheios de vida, com jogos pintados pelo chão, com uma horta pedagógica e sustentável, com robótica e teatros. Ora bafejada pelo sol no verão ora pela neblina cerrada no inverno. (Fig. 3 –Escola, Anna)
Na antiga escola, era conhecido pelo Pedro, o Chicharro, pois filho de peixe sabe nadar, habituado à faina da espada-preta, crescera na lota com os pais, a vender os melhores peixes da ilha. Nenhum peixe lhe metia medo e sabia amaina-los a todos, chicharros, espada-preta, fanecas, solhas, douradas, quantos são?!
Ao entrar na sala, sentia saudades da sua escola à beira-mar e estava ansioso por conhecer os novos amigos. Depressa todos ficaram encantados com as suas aventuras. A maioria nem gosta de comer peixe quanto muito saber identificar quais são. Habituados às lides da serra, o mar os fascinava. Como é acordar de madrugada para ir para a faina? Quanto tempo ficam no mar? Como pescam? São redes que vocês cosem? O barco abana muito? Como levam o peixe para a lota? Apanham polvos e mariscos também? Choviam perguntas até à hora do almoço.
Os amigos tinham combinado almoçar o mais depressa possível para irem jogar à bola no polidesportivo enquanto as meninas queriam andar de baloiço e fazer jogos matemáticos no chão. Pedro reparou que a maioria dos colegas não queriam sequer almoçar. Alguém adivinha porquê? Pois era peixe! Em sua casa nunca faltara peixe, como é óbvio. Mais do que habituado, ele gostava mesmo de comer peixe, porque faz bem à saúde, tem ómega 3, vitaminas e minerais. Ainda tentou convencer os amigos sentados à mesa, mas um deles até regurgitava. (Fig. 4 – Refeitório, Lara)
-É tao sensaboroso! Blaque….blaque! – queixa-se.
-É salmão. Vem do norte, das águas frias. Deves provar! –retorquiu Pedro.
No dia seguinte, perguntou à professora se as pessoas daquela terra não comiam peixe? A velhota deu uma valente gargalhada! É verdade que está caro, mas muita gente nem habitua os filhos a comer peixe. -Eu adoro espada de escabeche com milho cozido, oh, não fosse madeirense! –dizia.
Pedro magicou um plano e sugeriu à professora fazer uma visita de estudo ao cais e à lota. Podiam ver os barcos, conversar com os pescadores e ver os peixes ao vivo. Ver os peixes mais comuns da nossa terra. Ah, o avô ia adorar. Conhecido por ser o Xarreco, de boca grande, histórias de piratas e monstros marinhos, ele vai contar, pensava o gaiato! Ora a professor nem pestanejou, mas que bela ideia! (Fig. 5 – Avô Xarreco, Catarina)
Nesse mesmo dia, foram fazer uma visita à cozinha da escola, onde a cozinheira lhes mostrou onde armazenam os peixes congelados e puderam ver de que países vêm, seja bagre, salmão ou pescada! A cozinheira, ainda, tentou mostrou como faz uma bela receita de peixinho no forno, mas a maioria saiu logo, alegando que cheirava a bedum. Quem gosta de comer cavala com semilhas e orégãos? Já comeram atum escabeche com milho? Ou filete de espada preta com banana? Perguntava a cozinheira, indignada, porque as crianças só queriam esparguete com almôndegas! Pedro quase que desanimava! (Fig. 6 – Cozinha, Gustavo)
A professora resolver pesquisar com os meninos os peixes típicos da ilha e os que encontramos no supermercado. Alguns nunca tinham visto um mero e pensavam que este se comia! Outros gritaram ao ver uma espada-preta, que feia! No entanto, ficaram espantados com os benefícios que o peixe traz para a saúde. Nem sabiam que há mamíferos marinhos, como a nossa foca-monge, comumente conhecida por lobo-marinho! O que são ou moluscos? Nem distinguiam uma lula de um mexilhão. Arroz de lapas, o que é isso?
No dia treze desse mês, o autocarro chegou antes do toque e os meninos já estavam em fila no portão, entusiasmados com a visita. Desceram a serra a cantarolar, oh que vista! Conseguiam ver os apicultores de fato, a tirar o mel, que astronautas! As pessoas nas hortas a cavar semilhas e os miúdos nas piscinas a brincar. (Fig. 7 – Viagem de autocarro, Fabiana) Logo chegaram à cidade. Entraram na lota e ficaram pasmados. As peixeiras como apregoam o peixe fresco!
-Isto é um chicharro? Perguntou um menino.
-É parecido com um carapau! -disse a professora. Quanto peixe no gelo! Maravilhados, seguiram Pedro até ao cais, onde o barco do avô do Pedro estava atracado. Estavam a descarregar a faina. Boa safra de atum.
-Pedro, a pescaria foi boa, hoje! Há cavalas com molho vilhão ao jantar, dizia o pai, desembrulhando as redes.
Os meninos entraram no barco e fizeram a inspeção como grumetes! Pensavam que era a velas ou a remos, ainda! Havia uns peixes a secar no mastro. Pedro, ria-se, alguns diziam é o tal, o gaiado! Na verdade, era peixe-gata, a nossa versão do bacalhau. E que saboroso com um dente da poncha! –clamava o avô Xarreco. (Fig. 8 – Visita ao barco de pesca, Bianca)
No dia seguinte ao almoço veio peixe. Todos sabiam já o que era uma dourada. Vinda da aquicultura do sul da ilha. A maioria provou e gostou. Até a cozinheira tinha uma lagriminha no canto do olho! Pouco desperdício, hoje, pensou! Ufa!
-Hoje não fica peixe para a compostagem da horta da escola. - dizia-lhe a professora toda contente. (Fig. 9- Compostagem na horta, Rodrigo)
-Bem-vindo, Pedro, à nossa família, que é esta escola!
FIM

Digitalização de cada uma das páginas das história: